Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Mau serviço a Portugal

José Sócrates ainda sabe onde é Portugal?




José Sócrates na última Cimeira Ibérica disse que Zapatero, o PM Espanhol , é o seu melhor amigo!!!

Zapatero nem sabia, e a melhor prova é que agradeceu as palavras, com um ar estupefacto!!!

José Sócrates com a fobia do "choque tecnológico" esquece as lições da História.


Nunca um Primeiro Ministro Português pode dizer isso de um Primeiro Ministro Espanhol. A não ser que José Sócrates esteja em sintonia com os históricos interesses de Espanha em anexar Portugal!
Ou Zapatero quer entregar a Portugal a Vila de Olivença e seu termo, cumprindo assim o que Espanha se obrigou quando aceitou a entrega a Portugal de Olivença?
Ou quereria José Sócrates dizer que José Rodriguez Zapatero é o seu melhor amigo porque José Rodriguez Zapatero o vai ensinar a respeitar os direitos humanos,? Porque José Rodrigues Zapatero o vai ensinar a abrir escolas em vez de as fechar . Porque o vai ensinar a criar riqueza em Portugal em vez do nosso País ser o "orelhas de burro" na União Europeia. Porque Zapatero vai ensinar José Sócrates a aumentar as pensões de reforma, a elevar o nível de vida dos portugueses?

Como Zapatero faz e quer redobrar em Espanha, como se vê na notícia que o site Portugal Diário noticia.
Veja aqui:  Portugal Diário

A "declaração de amor" , leia-se "declaração de amizade" - ou como cada um quiser ler - de José Sócrates a Zapatero não foi natural, cheira a bajulice, pelo menos...
Nada de pessoal me move contra José Sócrates , mas, como cidadão eleitor que sou, tenho de lamentar a demagogia, a fanfarronice, a falta de qualidades políticas, a arrogância, a insensibilidade aos problemas das pessoas, sobretudo das mais idosas, dos jovens, das populações do interior, que José Sócrates mostra.
José Sócrates é um exemplo acabado de um político falhado. Porque o político deve ter em primeiro lugar o bem comum como fim e José Sócrates age e reage como um individuo que não sabe para onde vai. É assim como um médico que vê o doente morrer e em vez de o tentar curar faz eutanásia.
A declaração de José Sócrates sobre "aproveitamento político" do caso da morte do bebé em Anadia, enche-me de tristeza.
Como é possível que o Primeiro Ministro de Portugal veja o Paraíso onde cada vez mais há dor , fome, sofrimento moral?


Espero que nas próximas eleições José Sócrates seja derrotado estrondosamente.
A Bem de Portugal e da Nação!
José Maria Martins
 



EU acredito em Portugal editou às 10:54
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Sábado, 10 de Novembro de 2007
Portugal não tem nenhum complexo de inferioridade

Ibero-Americana: "Portugal não tem nenhum complexo de inferioridade com Espanha" - Sócrates

10 de Novembro de 2007, 15:58

 
Sara Madeira (textos) e Inácio Rosa (fotos), enviados da Agência Lusa

Santiago do Chile, 10 Nov (Lusa) - O primeiro-ministro português José Sócrates sublinhou hoje que "Portugal não tem nenhum complexo de inferioridade com Espanha", questionado sobre a pouca visibilidade nacional na Cimeira Ibero-Americana.

"Fique a saber que Portugal não tem nenhum complexo de inferioridade com a Espanha e quando participa nestas cimeiras cumpre o seu dever, não tem nenhuma necessidade de protagonismo ou de afirmação que caracteriza os países com complexo de inferioridade", afirmou Sócrates, em resposta à jornalista que colocou a questão, desligando em seguida o microfone.

Na conferência que marca o final da XVII Cimeira Ibero-Americana, que decorre em Santiago do Chile, o Presidente da República Cavaco Silva fez questão de completar a resposta do primeiro-ministro.

"Os países latino-americanos, desde a primeira cimeira em 1991, sempre consideraram essencial a presença de Portugal por uma questão de equilíbrio, não só por Portugal, mas pensando também no país irmão que é o Brasil", garantiu Cavaco Silva.

O chefe de Estado salientou que a língua portuguesa tem na comunidade ibero-americana "uma presença tão forte como a língua espanhola".

"Compreende-se que a Espanha disponibilize meios financeiros mais fortes que Portugal mas penso que não põe em causa a influência que, em determinadas áreas, Portugal pode continuar a ter na América Latina", sustentou.

Lusa/fim



EU acredito em Portugal editou às 18:15
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
Mas só se os portugueses quiserem.

TEMOS DE PERDER A INDEPENDÊNCIA? 
 

 José António Saraiva

Semanário "SOL", 28 de Julho de 2007

José Saramago disse uma coisa que muita gente tem dito mas à qual a sua condição de Nobel deu uma outra amplitude: Portugal, mais cedo ou mais tarde, integrar-se-á na Espanha.
Do ponto de vista económico, isto já é uma evidência: a Península Ibérica tende a ser um espaço único, com as empresas espanholas a operarem em Portugal com o mesmo à-vontade com que operam em Espanha, e com o seu centro em Madrid.
Resta saber se a esta integração económica corresponderá necessariamente uma integração política.
Os marxistas, como Saramago, acham que sim.
Eu tenho algumas dúvidas.

A propósito, pense-se na seguinte questão: como explicar que a esquerda portuguesa, que no passado se bateu com tanta convicção pela independências das nossas colónias de África, seja hoje tão indiferente em relação à independência do seu próprio país?
Como explicar que a esquerda, que defendeu que Angola, Moçambique, a Guiné, Cabo Verde, deveriam ser nações independentes, aceita hoje com indiferença a ideia de Portugal deixar de ser um país independente?
Como explicar que Saramago, que foi um anticolonialiata militante, possa hoje dizer que o destino de Portugal é integrar-se na Espanha?
A independência era importante para as ex-colónias mas para nós não é?

Julgo que há uma explicação para isto: a esquerda que existe formou-se no Estado Novo e tem como traço fundamental o anti-salazarismo.
Como Salazar era liminarmente contra a independência das colónias, a esquerda era a favor.
E como Salazar era activamente nacionalista, a esquerda é anti-nacionalista.
Ontem combatia o colonialismo português em Àfrica e advogava as independências africanas; hoje aceita pacificamente a anexação de Portugal por Espanha e o seu fim como nação independente.

Verdade se diga que o iberismo está de certa forma na moda não apenas entre a esquerda (nem apenas na boca de Saramago), mas entre a classe média.
A classe média portuguesa olha para o enorme desenvolvimento que a Espanha registou nas últimas décadas, compara-o com o marasmo português e conclui: integrados na Espanha seríamos mais prósperos, mais ricos e mais felizes.
Ora, é uma ilusão pensar assim.
Basta olhar para o que aconteceu em muitas empresas portuguesas que foram compradas por espanhóis: a investigação deixou de ser feita em Portugal e passou a ser feita em Espanha, os quadros superiores portugueses foram substituídos por espanhóis nos lugares-chave, os portugueses ficaram em posição subalterna e acabaram por se sentir estranhos no seu próprio país.

É exactamente para evitar isto que a independência serve: para os naturais de um país não se sentirem estranhos na sua própria terra.
E não deixa de ser insólito que, num mundo em que por toda a parte se vêem povos a bater-se pela independência ou por uma maior autonomia, os portugueses dêem a independência de barato e aceitem abdicar dela.
Provavelmente, o nosso problema é sermos há tanto tempo independentes que já não reconhecemos as vantagens que isso traz (ou as humilhações que evita).
E - há que dizê-lo - a independência é sobretudo uma questão de vontade.
Quando Saramago disse que a integração na Espanha é inevitável, estava implicitamente a dizer que os portugueses não têm vontade de continuar a ser independentes (ao contrário dos bascos ou dos catalães, que no próprio dia em que o franquismo caiu ressuscitaram os seus valores).

Portugal poderá perder a independência.
Mas só se os portugueses quiserem.
Daí que a posição mole, distraída, desinteressada, capitulacionista ou abertamente anti-nacionalista da esquerda portuguesa seja um mau sinal.
Há povos que lutaram pela independência e a conquistaram.
Inversamente, se um povo se desinteressar de ser independente acabará inevitavelmente colonizado.


José António Saraiva

 



EU acredito em Portugal editou às 18:19
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Sábado, 2 de Junho de 2007
História de Portugal



EU acredito em Portugal editou às 12:45
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007
Em Greve

Aqui estamos de greve...
 



EU acredito em Portugal editou às 16:06
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Sábado, 17 de Março de 2007
Atentado á soberania nacional

Como diria o nosso saudoso Fernando Pessa: "e esta heim?"
 

VERGONHOSO

Nossos governantes devem ter mais respeito por Portugal e pela língua portuguesa. A decisão do ministro da economia é um grave atentado à soberania nacional.

Mas onde é que estamos se por dinheiro vendemos (destruímos) nossa cultura linguística? Concordo com uma maior promoção do turismo e não só, também de tudo o que é e representa Portugal.

Na verdade o que está a acontecer no ALL GARVE, que o senhor ministro inventou, é que NÓS portugueses viramos os "escravos" dos SENHORES da Europa que muito simpaticamente vem comprando tudo o que temos para em troca nos oferecerem os piores ordenados da mesma Europa.

O que falta nestes políticos AINDA é que aqueles que defendem Portugal e sua soberania venham a ser perseguidos e quem sabe um destes dias, presos...

DESTRUIR-NOS COMO POVO É O QUE ESTÃO FAZENDO. ASSIM NÃO...

EU acredito em Portugal

 All...garve
Ministro da Economia muda o nome ao Algarve

O Governo português vai investir, só este ano, nove milhões de euros na promoção e realização de eventos no Algarve. E, para vender melhor a região, o Governo aprova e paga uma mudança do nome de português para "um género" de inglês.
 



SIC

Acrescenta-se um L à palavra Algarve e passa-se a pronunciar All Garve.

Para os estrangeiros fica mais fácil pronunciar a palavra, principalmente para os nativos da língua inglesa.

E, é a pensar nos turistas vindos de fora que o Governo, através do Turismo de Portugal, vai gastar seis milhões de euros na promoção internacional do AllGarve.

Parte do dinheiro vai para a empresa que pensou na campanha promocional. Aos seis milhões de euros juntam-se mais três milhões de euros que vão ser gastos em eventos durante este ano, como a Taça de Portugal de Vela, por exemplo.

Sol, mar e golfe são as ideias positivas pensadas para o Algarve. Não é propriamente uma invenção até porque já existem, mas o Governo quer promovê-las melhor.

SIC-Online
 



EU acredito em Portugal editou às 08:30
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007
Diga NÃO, dia 11 de Fevereiro
 
 " VIVER vale a pena"

                de Miguel Roque 
 

Porque, EU acredito na vida.

Eu acredito em Portugal, mas também acredito na vida nos valores humanos na família e acima de tudo no direito UNIVERSAL de viver.

 
 Com base no acima transcrito e porque estamos a poucos dias dum referendo que pretende atirar para cima das costas dos cidadãos a responsabilidade de uma possível despenalização voluntária da gravidez até ás dez semanas, perante tudo isto decidi apoiar o NÃO, por motivos que entendo serem válidos na defesa do direito à vida e ao renascer de valores que a sociedade moderna está matando.

DIA 11 DE FEVEREIRO EU VOTO NÃO



EU acredito em Portugal editou às 20:20
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006
Espanha, um perigo sempre presente...

"PORTUGAL sim, Iberismo não"



 


Um caso único no mundo.


Portugal é um dos estados mais antigos da Europa, cujas fronteiras se mantém inalteráveis desde o século XIII ( estamos bem assim ).

Independência em perigo



Jornal "Alentejo Popular"02-Novembro de 2006
(ARTIGO anti-iberista de Miguel Urbano Rodrigues)

O Fantasma do Iberismo volta a ser agitado.
De repente, órgãos de comunicação social em Espanha e Portugal desenterraram o fantasma do iberismo e agitam-no.

As sondagens sobre a integração de Portugal na Espanha não merecem credibilidade. Os comentários da imprensa são levianos e ocultam a colonização económica de Portugal pela Espanha.

Miguel Urbano Rodrigues - 30.10.06
Antes e depois da visita de Cavaco Silva a Madrid, alguns órgãos de comunicação social aproveitaram o acontecimento para retirar de arquivos bolorentos o tema do iberismo e agitar esse fantasma. Promoveram sondagens que apresentaram resultados muito semelhantes. Quase metade dos espanhóis seriam favoráveis à existência de um único estado na Península e um quarto dos portugueses desejariam a fusão com a Espanha. O Público dedicou três paginas ao assunto . Numa delas o correspondente de El Pais em Lisboa, em tom que navega entre o sério e o irónico, reflecte sobre a hipótese da criação de «uma nação única». O que chama a atenção nesses textos e noutros publicados na imprensa é a leviandade da maioria dos comentários e depoimentos e o silêncio sobre duas questões, essas sim, importantes:
1. Nenhum dos autores e entrevistados manifesta curiosidade pelo súbito interesse dos media pela problemática da integração de Portugal na Espanha. Ninguém pergunta por que se levanta de repente na comunicação social esta algazarra tonta em torno do iberismo.
2. Em nenhum dos artigos lidos encontrei qualquer referência à avassaladora colonização económica de Portugal pela Espanha. No labirinto de argumentos invocados a favor e contra o projecto ibérico identifiquei um denominador comum: a conclusão de que portugueses e espanhóis se assemelham como dois irmãos.

Até Miguel Bastenier, que discorda da Ibéria única, escreveu na sua coluna de El Pais, que «não há dois países que se pareçam mais». O MITO E A REALIDADE Uma extensa e sinuosa fronteira separa, na aparência artificialmente, Portugal da Espanha. Mas é suficiente atravessá-la e logo, ao entrar nos pueblos e nas vilas da raia, qualquer estrangeiro percebe que somos povos marcados por profundas diferenças.

A historia que nos diferenciou com lentidão – somos filhos da Galiza- principiou a cavar abismos culturais entre os dois países após a Revolução de 1640 que pôs termo à breve união dinástica . A partir de então, o castelhano que, era de uso comum, inclusive na literatura, entre os portugueses instruídos, quase deixou de ser falado. Portugal voltou-se para a França e durante três séculos o povo de Voltaire passou a ser a referência cultural. Distanciados por um século, Eça e Saramago contemplam e sentem a França e a Espanha sob perspectivas que têm muito pouco de comum.

Mas é transparente que a influência de Paris como fonte de inspiração, no caminhar do Portugal urbano, não foi substituída, ao desaparecer, por uma presença espanhola. Para a juventude, as grandes referencias são hoje anglo-saxónicas nos mais diferenciados aspectos da vida quotidiana e na adopção de valores culturais. É um facto que acultura norte-americana, sobretudo a sub cultura de exportação, marca hoje decisivamente o comportamento social da totalidade das sociedades europeias. Os efeitos - do choque produzido não são, porem, os, mesmos, da Suécia à Itália, da França à Grécia.

A Espanha, na transição do fascismo para um regime de fachada democrática, tem assimilado o pior do neoliberalismo globalizado e da chamada macworld cultura. O autóctone e o importado fundiram-se numa amalgama na qual a herança mediterrânea - sobretudo a de Roma e do Islão- cede perante a ofensiva de um capitalismo cuja peculiaridade regional é de uma enorme agressividade.

A burguesia portuguesa, impressionada pelas taxas de crescimento do PIB no país vizinho, cita com respeito o «milagre espanhol». Nem sempre o afirma explicitamente, mas admite que é um factor de peso a favor de uma união com a Espanha. A Espanha passou inclusive a ser um país exportador de capitais, o que suscita a sua admiração. Mas o que é, afinal, esse «milagre»?

O capitalismo espanhol é hoje um dos mais predatórios do mundo. Uma revista tão insuspeita pela sua fidelidade ao neoliberalismo como a Newsweek comparou já a actuação na América Latina das transnacionais da Espanha ao conquistador do México Hernan Cortés, responsável pela destruição da civilização azteca. O governo de Madrid repete com orgulho que cinco séculos após a chegada de Colombo ao Novo Mundo os investimentos directos espanhóis na América Latina somente são superados pelos dos EUA.

Mas por que preço para os países onde o capital espanhol se instala? Para citar apenas os casos mais chocantes, a Repsol, a Telefónica e o Banco Santander aparecem aos olhos das forças progressistas da Argentina, do Brasil, da Bolívia, da Colômbia e do Chile, entre outros, como polvos tentaculares do capital. Não apenas pela sobrexploração dos trabalhadores, também por surgirem envolvidos em escândalos, roubalheiras e violações da soberania dos Estados onde desenvolvem a sua actividade. Aliás, mesmo encarado sob um ângulo exclusivamente económico e financeiro, o «milagre» espanhol tem pés de barro. Na ultima década o motor do crescimento do PIB tem sido o boom da construção, o que segundo Le Monde e o The New York Times, anuncia tempos difíceis porque o sector imobiliário, saturado, perdeu o dinamismo e acusa o efeito da subida da taxa de juros. A essa fragilidade soma-se uma grande dependência do turismo, uma fonte de receitas extremamente instável.

Os iberistas, ao esboçarem o panorama de uma Espanha pletórica de energias, exemplo de progresso e criatividade numa Europa estagnada, simulam também esquecer que o país exibe a mais alta taxa de desemprego dos 15 membros da União Europeia anterior ao alargamento. No aranzel levantado em volta das vantagens e desvantagens da integração de Portugal na Espanha não aludem sequer os participantes no abstruso debate a racismo e à xenofobia que fazem hoje da pátria de Cervantes um dos países europeus onde os imigrantes, sobretudo os magrebinos e os equatorianos e colombianos, são mais discriminados.

 Não. Preferem discorrer sobre temas como a localização da capital de uma Ibéria unida, a estrutura institucional do Estado - Federação ou simples transformação de Portugal em mais uma Região Autónoma- e ,finalmente que papel seria em tudo isso o do Rei D Juan Carlos de Bourbon . São mínimas as referências à incapacidade secular demonstrada pelo Poder Central espanhol para conviver democraticamente com as nações hegemonizadas por Castela. Não obstante afigura-se-lhes natural que Madrid, repressora da fome de liberdade de bascos e catalães, possa absorver tranquilamente Portugal.

Na abordagem das peculiaridades que diferenciam e aproximam portugueses e espanhóis fala-se do bacalhau, do fado, do flamengo , de marialvas e senhoritos, dos dois idiomas, mas em todo esse festim de leviandades não identifiquei um depoimento que tocasse mesmo ao de leve numa questão de fundo: o modo de encarar a existência, o comportamento no quotidiano de portugueses e espanhóis, sejam estes castelhanos, catalães ou bascos, por outras palavras, a atmosfera humana, o espectáculo da vida oferecido por ambos os povos. Essa omissão é definidora da inutilidade e do ridículo da ressurreição do fantasma do iberismo. Porque o desencontro de idiossincrasias ilumina bem uma realidade: longe de serem «muito parecidos», portugueses e espanhóis distanciaram-se progressivamente, exibindo atitudes quase antagónicas perante a grande e breve aventura da vida.

Vivo em Serpa, na Margem Esquerda do Guadiana. É suficiente atravessar a fronteira e entrar pela Província de Badajoz ou pela de Huelva e parar em qualquer pueblo para sentir uma profunda diferença. Eles trabalham a horas diferentes, transformam o culto do aperitivo num instrumento de convívio, comem a horas diferentes. O ruído é ali componente da vida, do conceito dos lazeres. Em Madrid ou Barcelona, tão desiguais, essas diferenças na atitude perante a vida, na forma de a percorrer e desfrutar, são ainda mais acentuadas. Não critico, registo o inocultável. Essa especificidade espanhola não acompanhou os senhores da Conquista. Na América Latina hispano-india, o fluxo do quotidiano – com a única excepção do México - é balizado pela norma europeia . Come-se, trabalha-se e convive-se em horários semelhantes aos dos países da União Europeia.

Outra omissão em todos os textos em apreço, na imprensa de Lisboa e Madrid, é a falta de referências à colonização económica de Portugal pela Espanha. O processo em curso é avassalador. há três décadas a Espanha não existia praticamente como parceiro comercial de Portugal. Hoje ocupa o primeiro lugar nas importações portuguesas. Os nossos vizinhos souberam aproveitar os mecanismos da Comunidade Europeia. Mas não ocupam somente uma posição hegemónica no comércio. A invasão do capital espanhol é diluviana. A banca espanhola conquistou uma parcela importante do mercado português. O mesmo ocorre com a hotelaria e as grandes lojas transnacionais como El Corte Inglês e Zara. As imobiliárias espanholas invadem as nossas cidades, do Minho ao Algarve. O processo de colonização pacífica, no âmbito do funcionamento do mercado, assume facetas particularmente alarmantes no Alentejo. Capitalistas espanhóis compraram já as melhores terras no perímetro do Alqueva. Adquiriram milhares de hectares, sobretudo no Distrito de Beja, para criação de porcos, instalação de lagares e plantação de oliveiras e vinhas. Essa invasão do capital espanhol é obviamente festejada pelo Governo de Sócrates e pela grande burguesia como muito positiva. Saúdam os investidores espanhóis como empresários agentes do progresso.

 Agradecem. Com a espontaneidade da nobreza de 1383 a saudar D. João De Castela e a nobreza de 1580 a alinhar com Filipe II. Essa forma de dominação económica encobre, afinal, uma modalidade de intervenção imperial. O correspondente em Lisboa de El Pais garante que «o imperialismo espanhol está definitivamente liquidado». Mas a sua peremptória afirmação apenas evidência que ou desconhece o que seja o imperialismo ou pretende dissipar no berço temores que identifica em amplos sectores do povo português.

A Espanha não tem mais colónias. Nem passa pela cabeça de qualquer governante espanhol conquistar Portugal pelas armas. Mas a actuação do capital espanhol na América Latina configura uma forma de imperialismo. Embora diferente, mais discreta, a estratégia subjacente à política dos investimentos maciços em Portugal é igualmente inseparável de uma concepção imperialista das relações entre os povos. Alias, contrariamente ao que sustentam os apologistas da política de Zapatero, apresentada como social democrata e progressista, ela, no fundamental caracteriza-se pela fidelidade ao neoliberalismo e pelo alinhamento com o imperialismo. O presidente do Governo de Madrid comprometeu-se nas vésperas das eleições que levaram o PSOE ao poder a retirar as tropas espanholas do Iraque. Esse foi um grande trunfo eleitoral. Cumpriu. Mas quase logo foram enviados para o Afeganistão forças do Exercito espanhol para ali combaterem, integradas no dispositivo da Nato, a insurreição em curso naquele país. Ora essa é outra guerra imperialista. A Espanha é não devemos esquece-lo um dos países da União Europeia que nos últimos anos tem colaborado mais activamente ,através das suas forças armadas, com a estratégia de dominação mundial do EUA. O discurso de Zapatero tenta negar essa evidência. Mas os factos negam-lhe as palavras.

Podem argumentar os defensores do iberismo que Portugal também enviou forças para a Bósnia, Afeganistão e o Iraque por decisão de sucessivos governos. Assim aconteceu. Mas a pequena dimensão desses contingentes é esclarecedora da diversidade de atitudes dos povos de Portugal e Espanha. Sócrates é um medíocre ambicioso, profundamente reaccionário. No campo internacional as suas tomadas de posição reflectem a orientação transmitida por Washington. Mas está consciente de que o povo português conserva viva a memória da guerra colonial desaprovou desde o início as agressões ao Iraque e ao Afeganistão, mascaradas de intervenções em defesa da liberdade e da democracia. Daí o carácter inexpressivo da presença de militares portugueses naqueles dois países. Nem Cavaco ousaria dizer-lhes, como o fez o Rei de Espanha em visita às suas tropas, que estão a servir a Pátria e os mais nobres ideais humanistas.

 Para terminar quero esclarecer que admiro muito a outra Espanha, a Espanha mestiça, nascida de culturas diferenciadas, a Espanha de Cervantes ( o Quixote, lido e relido, continua a ser para mim um livro de cabeceira) e de Goya , de Dolores Ibarruri e Lister, a que se bateu contra o fascismo e hoje condena nas ruas o neoliberalismo, as guerras imperiais e a monarquia ridícula e corrupta que as aplaude . Essa Espanha, fraterna, revolucionaria, alinha, tenho a certeza, com aqueles, como eu, que apontam como farsa este alarido dos meios de comunicação social na campanha que desenterrou o espantalho do iberismo. Sou, como comunista, internacionalista. Mas aprendi nos combates da vida que o universal mergulha as raízes no nacional.

Serpa, 29 de Outubro

 

 


EU acredito em Portugal editou às 19:03
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Domingo, 15 de Outubro de 2006
Portugal e seu valor ignorado...
 
 " Portugal vale a pena"

                de Nicolau Santos
 

 


Vale a pena ler, para vencermos um pouco do nosso tradicional pessimismo.

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.

Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados.

E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual  você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais.

E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou  Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as  melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.

Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a  pequenas e médias empresas.

Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA  ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas (VIA VERDE). Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis.

E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo.

O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.

Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera  Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo.

E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).

É este o País em que também vivemos.

É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc.

Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.

Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não core bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.


Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados,porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau santos
Director - adjunto do:
Jornal Expresso In Revista Exportar


 



EU acredito em Portugal editou às 14:49
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006
É isso! falta-lhes o conhecimento oficial…
Um texto sem tabus…


1
As duras realidades do Estado e da Nação são conhecidas, muito mal suportadas e bastante sofridas. Os portugueses têm a noção de o Estado estar desacreditado e a percepção de ele nem ser pessoa de bem. A culpa assenta inteirinha sobre a classe política. Por sua vez, a Nação está enferma, desiludida, pesarosa. E os cidadãos que a constituem agrupam-se por categorias e núcleos que sentem de modos diferentes a crise que, reforce-se, atinge mais o numeroso grupo dos desfavorecidos e a classe média. O Zé-Povinho, coitado, anda à vela. Mas, duma forma aguda ou doutra mais suave, todos estão insatisfeitos. O crucial problema centra-se no sistema político, aprisionado entre faixas partidárias obcecadas pelo Poder; nas quais, pontifica gente imatura e muito mal preparada para exercitar a acção política. Também lhes falta saber, competência, seriedade, determinação e, muitas vezes, uma sincera dedicação à Pátria e aos valores democráticos. O País não progride; retrocede. A população não vislumbra melhores condições de vida. Inexistente uma salutar, autêntica, tolerante convivência entre os cidadãos. Os políticos e os governantes empenham-se em jogos de promoção pessoal e do respectivo partido, de disfarces e de confusões, para iludirem os problemas e mais facilmente baralharem os indígenas. Até recorrem a destrambelhados expedientes para alijarem responsabilidades. Nisso são imitados em todos os sectores da Administração Pública. Quando os maus exemplos partem dos escalões cimeiros da hierarquia não se estranhem as imitações que se entranham nos patamares inferiores…

2 – O “Diário de Aveiro”, edição de 17 de Agosto corrente, insere uma notícia sob o título de “Cheiro a esgoto indigna utente”, reportada ao novo Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro. Consta da reportagem: que houve entupimento de esgotos; que durante algum tempo se sentiu um cheiro insuportável; que após reclamação de uma senhora e da ordem para se calar veio um indivíduo que procedeu ao desentupimento da câmara de visita num espaço contíguo à sala de espera. Igualmente, dá-se nota que tais trabalhos incomodaram os utentes não só pelo cheiro nauseabundo mas porque efectuados à vista de todos os presentes. A referida senhora, bastante agastada, terá manifestado estranheza pela ocorrência num serviço de urgência inaugurado há pouco tempo. Depois, o administrador do hospital interpelado pela jornalista admitiuter conhecimento não oficial do episódio” e informou que, a ter havido “despejo de bidons com dejectos naquele momento, frente aos utentes que aguardavam na sala de espera, não seria muito cordial isso acontecer” (os sublinhados são nossos).

Esta notícia, na sua aparente singeleza e oportuna referência a delgado acto de produção linguística, envolve aspectos de considerável importância e de surpreendente revelação de um segredo bem guardado no território nacional, que devem ser comentados.

3 – Primeiro aspecto - o seu objecto.

De realçar o facto de uma obra recentíssima efectuada no hospital de Aveiro já apresentar a deplorável mazela do mau funcionamento dos esgotos. Causas: fraca qualidade do projecto ou falta dele? Incorrecto dimensionamento da rede? Má execução da obra? Inexistência ou deficiência de fiscalização? Lacuna da aprovação dos trabalhos? Negligência ou facilidades na recepção provisória da empreitada? Quanto à apreciação de cordial para o despejo dos bidons, decerto que nem afectuoso; tão-pouco amistoso… Se o administrador queria dizer curial, mesmo nesta hipótese, temos de convir que a acção nem própria; muito menos conveniente…

4 - Segundo aspecto - o administrador “admite ter conhecimento não oficial do episódio”.

Vejamos. É facilmente suposto por gente bem intencionada que o administrador exerça, num enquadramento oficial, as respectivas funções intramuros do hospital. O episódio ocorreu nas instalações do estabelecimento. Estando ele, responsável executivo, no exercício do cargo, não lhe bastava o seu conhecimento obtido através da informação dos serviços ou pela verificação pessoal, para o caso ser considerado oficial? Há sentido de oportunidade, perguntar: o que é isso do “conhecimento oficial”? Como se processa? Pela apresentação de uma queixa de algum utente? Em papel timbrado com assinatura reconhecida pelo notário? Pela declaração formalizada em auto lavrado perante o senhor administrador, devidamente testemunhada por pessoas idóneas credenciadas por informação confidencial do presidente da Junta de Freguesia ou por agentes da autoridade policial convenientemente uniformizados e quando em serviço feito por turnos ou escala? Então não é pela observação pessoal, pelo conhecimento directo dos factos ou pelas informações dos serviços internos, que o administrador toma “conhecimento oficial” do que se passa no seu hospital? E considerando que o administrador tinha tido o designado “conhecimento oficial” em que consistiriam as consequências daí decorrentes? O que se alterava no quadro da situação, da sua incongruência e nos devidos efeitos das acções a desenvolver para que tais ocorrências não voltem a repetir-se? Será porque o senhor administrador não tomou “conhecimento oficial” tudo vai continuar como dantes? Como decorre a gestão normal do hospital se o senhor administrador não toma “conhecimento oficial” – seja lá isso o que for – dos acontecimentos, acidentes, transtornos, avarias, incidentes e quaisquer anomalias e irregularidades que afectem o normal funcionamento da unidade hospitalar sob sua administração? Vaticina-se que o administrador não age quando tem conhecimento não oficial dos acontecimentos, devido à desmotivação, à lógica do sistema, à falha da chancela e à falta do selo branco, no indispensável embrulho do famigerado “conhecimento oficial”. Dado por adquirido o facto de nem lhe chegar “o conhecimento oficial” – algo chato, incómodo, complicado, difícil de conseguir e perdível no emaranhado das vontades, no labirinto dos espaços do estabelecimento e no desconhecimento e na dispersão (presumida) dos meios de acesso – pondera-se que, eventualmente, os resultados, os benefícios e os êxitos da gerência, estão condenados a sumirem nas brumas da ineficácia e da displicência.

Todas estas interrogações são pertinentes com uma única ressalva que deixamos em fórmula interrogativa: e se o administrador tem o conhecimento não oficial das coisas porque, talvez, ele próprio exerce as funções de administrador na situação de desempenho não oficial, de praticante à experiência, de amador, interinamente provido no lugar, sem o adorno das dragonas, do anel inerente à dignidade do cargo, da capa flamejante, da chancela, do bastão de comando e do pergaminho onde constem as inerentes responsabilidades? Sendo esse o caso, está justificado que ele só disponha do “conhecimento não oficial” de qualquer ocorrência no hospital. Assim, igualmente, se compreendem as suas limitações de ordem funcional… – o que, diga-se, vai em desabono das respectivas tutelas.

5 - Terceiro aspecto extrapolado para o todo nacional.

Este, estupendo! Um segredo desvendado em Aveiro. Tal e qual à semelhança da atitude de uma falsa virgem que em determinado dia, num ajustado momento, decide levantar a vestidura e mostrar a nudez, para evidenciar o manifesto deslumbramento e… materializar os almejados efeitos.

Até agora todo o mundo da lusa gente se interrogava quanto às razões porque os nossos políticos e governantes persistiam nos erros, nos disparates e na desgovernação, apesar das constantes críticas de que são alvo e de se julgar que alguma coisa lhes devia chegar aos ouvidos, ser objecto de leitura ou de observação pessoal. E ninguém atinava na interpretação a dar a esta problemática. Também nós nos confrontávamos com as dúvidas, os embaraços das questões levantadas no enredado das confusões habilmente urdidas pelos grandes artistas da paródia nacional em que está convertida a política à portuguesa. Faltava-nos identificar o expediente, o artifício, a manha, o álibi - qual escudo protector -  a que recorriam os governantes para tranquilizarem as próprias sobressaltadas consciências sempre que eram apanhados com o pé na poça, a boca na botija ou a mamar desalmadamente, às escondidas, nas tetas das vacas leiteiras dos pastios oficiais.

6 - Pois bem! Está encontrada a explicação. Da maneira mais simplória que se poderia conjecturar. Todavia, em conformidade com o mais atrevido e singular expediente só concebível por super dotadas mentes altamente evoluídas na matéria e deveras sofisticadas… E foi aqui, em Aveiro, precisamente no seu estabelecimento hospitalar de referência oficial, que alguém deu luz à escuridão que nos deixava atordoados e indecisos.

Os políticos e os governantes portugueses não acertam no rumo a dar ao País simplesmente porque, estando-se nas tintas para zelar o interesse nacional em detrimento das vantagens ou lucros pessoais, das conveniências dos partidos e dos objectivos prosseguidos pelas seitas do maior secretismo… são extremamente selectivos e precavidos: só tomam conhecimento não oficial das situações das coisas, das loisas e do estado da Nação.

É isso! Falta-lhes o conhecimento oficial. E, apropriadamente, dele se desinteressam…

7 - Querem exemplos? Eis alguns: O Alberto João Jardim todos os anos na festa do seu partido regional, no Chão da Lagoa, insulta com acinte desrespeitoso e verrina inaudita, os governantes de Portugal (incluindo presidentes da República). Nunca foi processado judicialmente. O Instituto de Meteorologia admitiu, para lugares de especialistas, indivíduos com o 9.º ano de escolaridade, quando as funções exigem consistente formação em Matemática e Física – o disparate vai em frente. Faltam verbas para os guardas-florestais, para a Educação, para a Saúde, para os equipamentos das Polícias, para combater os fogos eficazmente e para um rol imenso de necessidades – não há volta a dar. Há anos muitos deputados fartaram-se de viajar à volta do mundo sem saírem de Lisboa e, frequentemente, cometem outras tropelias não menos graves e desprestigiantes – nem há problemas de introspecção e os processos de averiguações perdem-se nos esconsos do Palácio de S. Bento. Há dias, Sócrates foi ao Brasil; levou, a reboque, sessenta jornalistas e numerosa comitiva, segundo o que foi noticiado. Uma grossa maquia do Orçamento, gasta na viagem, foi à vela. Como se Portugal pudesse comportar despesas com extravagantes jornadas turísticas. Inquirimos: esta peripécia luso-brasileira aconteceu porquê? Damos a resposta: porque, obviamente, Sócrates não tomou conhecimento oficial da sua viagem e em nenhum momento se apercebeu da companhia dos figurantes e dos gastos; estes, passaram-lhe ao lado em trânsito directo e apressado para as bolsas dos contribuintes... E penas que não se vêem, que não se sentem, nem se conhecem, é como se não existissem… Certo, engenheiro Sócrates?

Uma vez que assim vai sucedendo… temos de acrescentar: infelizmente, o primeiro-ministro, Sócrates, contempla-se no conhecimento não oficial de todos esses acontecimentos…

8 - Ficaríamos horas a elaborar a elucidativa lista dos desmandos da Administração Pública e outras mais coisas. Mas não vale a pena.

Importa reter a acabrunhante certeza: Tudo isto existe! Tudo isto é triste! Tudo isto é nosso incrível e molesto fado.

A suprema desgraça! Tudo acontece neste País porque os nossos distintos políticos e governantes disso não tomam conhecimento oficial. Ficam-se pelo conhecimento não oficial

Aí, está a gaita (coisa nenhuma)…

 

Notícia de última hora – Os diários de Lisboa, de 20 de Agosto p.p., relatam que o governo da marca Sócrates, seguindo na esteira dos anteriores de Durão Barroso e de Santana Lopes, está a contratar uns desenrascados “bons rapazes” - excelentemente cunhados com o selo de garantia das veneráveis sociedades que ”zelam pelos bons costumes” - através da “porta do cavalo”, com dispensa de publicação dos respectivos despachos de nomeação no “Diário da República”. O que, diga-se, representa uma providência cautelar… uma vez que ele está mais acessível, na Internet. Perguntará o leitor: Há problema? Respondemos: Para o governo deles, nenhum!  O grémio governamental tem do caso o reconfortante conhecimento não oficial,,.

Brasilino Godinho



EU acredito em Portugal editou às 15:15
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