Sexta-feira, 11 de Novembro de 2005

- Construir um país

Construir um país
 



Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de  pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa.

Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português.
Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

Miguel Gaspar Roque

EU acredito em Portugal editou às 22:06

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6 comentários:
De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 09:37
Gosto sempre de confirmar este género de coisas.

Pois bem. O artigo de E.P.C. veio no Público.

Mas, quanto ao outro:

EM QUE DATA e EM QUE JORNAL(ou revista ou página de internet) foi publicado?C. Medina Ribeiro
(http://sorumbatico.blogspot.com)
(mailto:medina_ribeiro@netcabo.pt)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 15:21
Amigo Luís, não importa quem escreveu ou adaptou o artigo, a verdade é que ele se adapta um pouco á realidade portuguesa e brasileira, um abraço. Miguel RoqueEU acredito em Portugal
(http://euacreditoemportugal.blogs.sapo.pt/)
(mailto:miguel_g_roque@msn.com)
De Anónimo a 23 de Novembro de 2005 às 20:16
Eu de novo(sou o mesmo que vim alertar do facto de este artigo provavelmente não ser de Eduardo Prado Coelho e sim de João Ubaldo Ribeiro, mas agora venho aqui desmentir que esse artigo não é mesmo de João Ubaldo Ribeiro, foi a propria filha dele que me confirmou. Agora só falta saber se é do Eduardo prado Coelho, e isso não posso afirmar. Também poderia ser adaptado por ambos para seu próprio país. É isso!!
abraçoluis
</a>
(mailto:osul@hotmail.com)
De Anónimo a 14 de Novembro de 2005 às 23:42
Como pode eduardo prado coelho tentar enganar todos os leitores do "Público" ao plagiar João Ubaldo Ribeiro, e grosseiramente procurar culpabilizar o povo Português?
Deixe-me dizer que enquanto neste país existirem senhores que atirem ao povo as culpas do descaminho que Portugal vai prosseguindo, eu estarei do lado contrario dizendo que a matéria prima existe. Só falta construir um país.
Mais, enquanto se promover a importação desprezando a agricultura a industria e as pescas, enquanto por motivo dos salários baixos, para alguns, um lápis uma borracha ou meia duzia de clips, sejam um forma de poupança, enquanto se defender a privatização de bens essenciais como a água, enquanto os suportes de cultura como livros, teatro e cinema foram a preços de bens de luxo, falta de facto construir um país. E o culpado não é seguramente o POVO. susete Evaristo
(http://1234)
(mailto:sse@netcabo.pt)
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 08:45
Gostei muito deste artigo do Prado Coelho, de facto estamos mesmo a ver-mo-nos ao espelho, e talvez, quem ler este artigo se sinta retratado e tente corrigir-se.
Gostei do teu blog e do teu orgulho de ser portugues é uma coisa que a juventude não alimenta o sentimento patriótico que pode ajudar a melhorar este lindo país.
Amália - AlmadaAmália
(http://historiaaberta.blogspot.com)
(mailto:amaliaribeiro@netvisao.pt)
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 08:11
VIVA!!
Caro Miguel Gaspar Roque

Consta por aí que esse artigo é dum Brasileiro de nome João Ubado Ribeiro, então tudo leva a crer que houve plágio por parte de Eduardo Prado Coelho, e que confirmando-se, é uma grande vergonha e até ridiculo mante-lo aqui como criação dessa pessoa. E é devido a isso que venho aqui avisa-lo, pois sendo este seu blog muito bem concebido, bem elaborado e com grande sentido patriótico, deverá rever a continuídade deste artigo aqui, ou pelo menos avisar a sua origem e no caso de o querer manter, deverá dizer que também assenta como uma luva aos Portugueses.


ps: mas primeiro devemos saber quem plagiou quem. Li os dois artigos com atenção e leva-me a crer que foi o eduardo mãos de tesoura (Eduardo Prado Coelho) que o tomou como seu, mas que na verdade é dum João(joão Ubaldo Ribeiro).
Para confirmar o que eu digo, é só ir a www.google.pt e colocar o titulo deste artigo juntamente com o nome de João o Ubaldo Ribeiro logo aparecerá a confirmação

desculpe a intromissão
e muitos parabéns por este seu espaço

AbraçoLuís
</a>
(mailto:osul@hotmail.com)

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